O Trator completou ontem um ano de serviços comunitários e essenciais, prestados aqui neste endereço. Mas como não fica muito tempo em um lugar só, e sendo a data muito propícia, a partir de hoje, se desgovernará em outra página. O blog continuará com sua mesma linha editorial (HAHAHAHAHA!), garantindo o mesmo espaço 100% democrático: aquele em que sobra pra todo mundo!!!
Voltando à pequena coleção “entomológica” do Trator, nesta semana foi classificado outro espécime de academia. Não se trata de exemplar raro, ao contrário, mas notável por sua capacidade de mimetismo e de se safar de qualquer situação. Trata-se do profe nebulosus, de quem sequer é possível a taxonomia, graças à falta de características próprias e bem definidas da espécie.
Sua linguagem amontoa chavões administrativos misturados a frases de efeito recorrentes nas ciências humanas, com pitadas de pseudocomentários políticos. É como se fosse membro de uma estatal, com palavrório mala e enjoativo, daqueles que nem Dramin dá jeito! Não pelas opiniões externadas, pois elas não existem, mas pela profusão de um discurso que só tem forma – ruim – e conteúdo inexistente.
Alguém, em algum dia, deve ter costurado meu nome da boca do Caco, o sapo, pois uma praga deu certo! Passei dez minutos ouvindo um profe nebulosus palestrar, até hoje, não sei sobre o quê. Eu precisava assinar um papel. Simples. E ele, lentamente, feito um bate-estaca, começou a socar minha paciência com sua fala monótona sobre idéias monótonas. Me lembro de fragmentos sobre gestores, sobre subordinados à burocracia e sobre...váááááááácccuuuuuooooooooo. Friso, não apenas pelo assunto em si, mas pelo teor do palavrório: turvo, parco, tosco.
O que faz uma espécie dessas na academia, além de fingir que ensina? Ocupa cargos, finge que organiza, enrola num balcão... pois sempre haverá um refúgio para a mediocridade na burocracia, nao é mesmo?
Até pouco tempo, a imposição de burqa & afins às mulheres de países islâmicos não causava boa impressão aos ocidentais. Até que ela se transformou em possibilidade de ganhar dinheiro.
A grife norueguesa Marked Moskva até desfile já promoveu; uma espécie de burqa fashion week, com direito a modelos quase blindados, mas com estampas suuuuuuuuper fofas – que é o que deve pensar a estilista da marca, quando afirma que a burqa traz liberdade para a mulher contemporânea, já que permite movimentos amplos e torna desnecessária a preocupação com maquiagem e cabelo. Ainda não tive a oportunidade de checar o visual da estilista em questão. Por enquanto, a reação do Trator é: tá...
Já a Nike estuda produzir uma versão esportiva para o hijâb – o véu islâmico, que cobre dos cabelos às pernas, mas deixa o rosto à mostra. A idéia, surgida na ONU, visa permitir que mulheres de países islâmicos pratiquem esportes, como vôlei, sem desrespeitarem seus pais, irmãos e maridos...
Parece que já ouço Erika Palomino: “Acho pop, superfofo! Se joga!”
Às vezes, sou assaltada por dúvidas cruéis, terríveis. Elas ficam rodando em meu cérebro, se jogando contra suas paredes, como a tripulação da USS Enterprise quando a nave é atingida por um torpedo fotônico.
Uma delas: o que tinha em mente a criatura que “cometeu” este sapato?
E se foi Richard Widmark – “uídemarque”, como diz meu pai, hehehehe. Recebeu um Oscar em 1947, pela atuação em Kiss of Death, seu primeiro filme, no qual interpretou Tommy Udo, um psicopata com uma risada escabrosa. Numa entrevista, Widmark disse que criou aquele riso por ter ficado, ele mesmo, incomodado com o personagem – a ruindade personificada, no melhor estilo sobretudo, chapéu e cigarro colado no canto do lábio.
Há um filme chamado Saneamento Básico, inspirado em fatos reais. Numa pequena cidade gaúcha, a comunidade se sacode para que o tratamento do esgoto seja realizado. A população já possui um projeto, pessoas dispostas a colaborar, orçamentos, tudo o que é necessário. Mas a verba para tanto não existe. Assim, há a mobilização – da comunidade – para conseguir os recursos, de uma forma não-convencional, hehehe. No final, tudo sai bem, há cenas ótimas.
Dia a dia, os problemas de infra-estrutura (só para começar) da maior parte das cidades brasileiras, são resolvidos (ou parcialmente remediados) quando da mobilização de comunidades. Infelizmente, nem tudo se passa tranqüila e progressivamente.
ANGELI
Em Santa Catarina, por exemplo, apenas 30 dos 293 municípios possuem algum serviço de esgoto. De acordo com a Associação Catarinense de Preservação da Natureza, mais de 4 milhões de catarinenses de áreas urbanas e quase a totalidade de habitantes das áreas rurais não possui tratamento de esgoto. Assim, mais de 600 milhões de litros de esgotão são lançados diariamente nos rios e no mar, atingindo o lençol freático da região.
FLORIANÓPOLIS, DEZ. 2007. PLACA COLOCADA A ALGUNS METROS DO SHOPPING IGUATEMI,
CONSTRUÍDO SOBRE ÁREA DE MANGUE.
Há um mês, várias cidades do estado ficaram embaixo d’água, como há tempo não se via. Na capital, o escoamento das águas pluviais parece estar saturado. Então, senhôures secretários, o prefeito e todo o cortejo de assessores para assuntos aleatórios concederam entrevistas, desfiando a mesma ladainha rota: o problema é que as pessoas jogam lixo em tudo o que parte, tudo se entope; os rios são poluídos, o mar é poluído. Se a plebe rude e ignara parasse de jogar dejetos por aí, a situação seria outra. A solução? Campanhas de esclarecimento, para as quais já foram abertas licitações – permitindo que agências de publicidade ganhem contas rentáveis e que equipes de gente-que-acha-que-escreve-ainda-mais-se-for-para-crianças apresentem projetos para “livrinhos educativos que transmitem suas mensagens de forma divertida”.
DEZ. 2007. SHOPPING IGUATEMI/FLORIANÓPOLIS
E pronto, está resolvido o problema. Spots publicitários, livros e cartilhas com textos dirigidos a um raciocínio protozoário começam a pulular, gerando ocasiões para lançamentos, discursos à laOdorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira, declarações de empresários louvando o progresso que ora se espraia em nossas plagas (ou qualquer outra cagada eufemística, provavelmente retirada de algum compêndio do tipo Palavras de Rui Barbosa para qualquer ocasião – inaugurações, festas de casamento, batizado ou amigo secreto na firma).
Na região continental de Florianópolis, inauguraram um elevado, que objetivava desafogar o trânsito caótico da região (a cidade acumula 1 carro para cada 2 habitantes); depois de dois anos, promessas de término da dita obra, atrasos, ataques da oposição e explicações veja bem do prefeito, o Elevado de Capoeiras foi “entregue à população” – essa expressão é desgraçada; para mim, sempre sugere um favor, uma concessão feita ao povão. Bom, depois de algumas horas “de uso”, constataram que havia falhas nos recuos laterais, possibilidade maior de acidentes, engarrafamentos que permanecem e mais uma série de pequenos erros de projeto. Para que servem institutos de planejamento urbano? Engenheiros de trânsito? As explicações sempre falam de medidas “que iremos estar pensando em tomar”; em “situação que já era prevista” e outras mariolas do gênero.
ANGELI
Ontem, o secretário de saúde do Rio de Janeiro falou que a dengue é endêmica e que, somadas a isso, há as condições geográficas do estado, muita vegetação etc etc. Assim, segundo ele, a população terá que se habituar ao mosquito. E ponto.
Não há novidade nisso; desde o Império, passando por todas as Repúblicas que já tivemos (a velha, a nova, a novíssima, a neo-nova e a golden-master-super-plus). Também já deu o que tinha que dar a lorota do é tudo sempre igual, não tem o que fazer. Claro que a organização das comunidades é o melhor caminho; não para tapar os buracos que o Estado convenientemente deixa, mas para decidir sobre suas situações, apresentar idéias e, sobretudo, obter o que é necessário.
O que mais angustia é ver que há, sim, quem se mexe e que há apoio a essas mobilizações. Mas que, também, equivalente à política dos governadores que permanece firme-forte neste país, está a força de neutralização que exerce uma massa de indivíduos com aspirações unicamente dirigidas a postos entre a burguesia aveludada/capa da Revista Caras/bajulado(a)-mor em universidade federal/empresário(a) do ano/publicitário de multinacional ou do governo/advogado de grandes empresas/operador da bolsa e coisas da mesma espécie. Essa “gente bunita” faz a festa quando somada à maior parte do alto empresariado, nomes tradicionais sabe-se lá de quê e gente cujo nariz é fino demais para conseguir viver no país. Uma gosma reacionária que sabe se adaptar bem, indo muito além do que imaginam os ditos "engajados". Sim, a gosma é a mesma; mas sempre ocupa espaços que deixamos vagos. E discurseira de múmia com dedo em riste não causa mais efeito algum. Ações efetivas são necessárias, não apenas reações.
ANGELI
Em tempo: até onde eu sei, mau-humor e papo eternamente depressivo nunca ajudou em nada. Não é por que a criatura é uma mala sem alça-de-papelão-em-forma-de-pirâmide-repleta-de-bolinhas-de-gude-em-dia-chuva (na definição de uma amiga), a bradar contra tudo e todos, que ela automaticamente representa quem está insatisfeito com a situação. Essas figuras azedas também já estão com a data de validade vencida. E haja esgoto pra mandar tudo isso embora!
O Trator Desgovernado tem um pezinho no lixão arqueológico, isso não é novidade. Assim, dando continuidade a escavações e redescobertas inigualáveis, aqui vai Talk in Your Sleep, do grupo The Romantics (1984).
Estudos histórico-antopológicos sublinham:
a) o apuro capilar, que permitia geometria e balanceamento perfeitos. Os vários closes nos integrantes da banda e figurantes do clip destacam cada detalhe – o que permite que você possa pedir “igualzinho” à cabeleireira, ao barbeiro, enfim, à pessoa que se ocupa de sua juba. Note que há muitas possibilidades, desde o topete trapézio ao mullet inflado, passando pelo permanente na franja e nas pontas, destacado por lacinhos laterais;
b) a avançada tecnologia do tecido sintético preto, que garantia mais resplandecência à vestimenta, destacando as ombreiras quarterback dispostas lateralmente – presume-se que as ombreiras garantiam o equilíbrio para os cabeceios e genuflexões no ritmo da música. O mesmo material sintético, provavelmente comprado por quilo, foi utilizado na forração de paredes e chão;
c) referências à fauna: garantidas pelo motivo zebrado da bateria e pela cobertura pilosa peitoral do baixista e do baterista, displicentemente insinuada;
d) pintura tribal do gênero massa corrida, cobrindo integralmente os rostos;
e) apologia à atitude “tigresca”, manifestada nas expressões do baterista e na presença de minas classudas e atordoadas. O gesto do vocalista que “cria” um genérico de Marilyn Monroe ainda é classificado nessa teoria, embora haja uma linha de pesquisa que entende o mesmo gesto como o disparo do vermelhão, numa escala Richter de plissagem e drapeamento...
f) neons decorativos – afinal, trata-se de 1984, oras!!!!!
Ainda discute-se sobre a presença de lanternas nas mãos do grupo; talvez seja uma atualização da lanterna de Diógenes e sua busca por um homem honesto. Mas, nesse caso, o que buscariam os rapazes das vigorosas cabeleiras?
Ajude a pesquisa científica deste país, traga dados e apresente teorias você também!
Há sempre momentos obscuros à espreita das criaturas. Não falo de grandes cataclismos ou determinações cármico-astrais, mas de coisas pequenas, cotidianas, com as quais você topará, mesmo que não queira.
Dia desses, vi uma cena de causar engasgos, uma arma em potencial – a lenda urbana sobre a morte de Big Mamma Cass poderia ser real! Por favor, chamem os Mythbusters! Bom, a cena: Miss Santa Catarina 2008 (já começa bem); finalistas no palquinho, e o apresentador, com uma gravata borboleta setentosa, imensa, anunciou que a 4º finalista receberia não-me-lembro-o-quê (talvez uma placa comemorativa) de um viçoso vice-cônsul do Suriname. Sim! Do vice-cônsul... do Suriname! Eu não tenho absolutamente nada contra o Suriname ou seu corpo diplomático. Mas será o que a comissão de organização pensou que a presença do sujeito garantia um evento glam? Bom, seja de que forma for, esse é um dos momentos obscuros com os quais uma criatura que está lá, na sua, simples, vai se deparar, indubitavelmente.
Exemplo dado, analisemos uma situação não tão sofisticada e glamurosa como a citada: o amigo secreto (amigo oculto, invisível, não importa a denominação). Não quero tomatar nenhum adepto espontâneo da prática, apenas expor o meu ponto de vista – velho/chato/misantropo e desgovernado. É difícil fazer afirmações como essa, pois você ainda ganha a pecha de criatura mal-humorada e estraga-prazeres. “Custa participar? Você precisa aprender a não se achar melhor que os outros; precisa aprender a se divertir; no fundo, é só tipo, pois todo mundo gosta de amigo secreto” – são argumentos que ouvi muito, depois de saber que meu nome já havia sido colocado no temível “pote do sorteio” e que alguma pessoa estava, naquele exato momento, se esforçando de todo o coração para encontrar algo que me agradasse.
Tudo o que você utiliza para explicar seu ponto de vista não é levado em conta; você é uma pessoa detestável e tem uma chance de se tornar um pouco melhor – participando de um amigo secreto. Mesmo que diga que não tem problemas com a brincadeira, mas dela participa quem queeeerrrrrrrrrr!!!! Que seu conceito de diversão é ooooouuuuuutro!!!!!!!!! Assim como o de daaaaaaaar presenteeeeeeesssssssssss!!!! Como meus argumentos viram piada, decidi expô-los aqui mesmo, para mais um debate que mudará o eixo de rotação da Terra.
Certa feita, num amigo secreto mega-organizado (só faltou o vice-cônsul do Suriname), havia uma ficha a ser preenchida e lida quando da entrega de presentes. Havia 25 itens na dita cuja, e o dado não é aproximativo nem exagero estilístico. Coisas como se seu amigo secreto fosse uma árvore, seria ...; se seu amigo secreto fosse uma planta, seria ...; se seu amigo secreto fosse uma flor, seria.... Não bastava apenas um exemplo do reino vegetal, era necessário abranger toda a flora, toda a fauna, todos os gêneros musicais, alimentícios, cinematográficos etc e, ao final, dedicar um poema – de próprio punho ou já consagrado – ao seu amigo ou sua amiga.
Depois de um tempo (perdido) preenchendo pontos com coisas originais como “um pica-pau campeiro”; “uma flor do campo”; “uma bromeliácea do gelo” e por aí vai, o pior é ter que aturar alguém, no meio de uma roda, segurando um CD num papel de presente com motivos natalinos e fitas cascateando, comportando-se como se estivesse na final do American Idol (e como se isso fosse algo ótimo):
– O meu amigo... ou amiga... hihihihi... ai, gentchi! Quase entreguei!!!
– Aaaaahhhhhhh, já sei quem é......!
– Pelo formato, deve ser uma bola! Uahauhauahauahau! Pegou? Uma bola... Redonda... Huahuahuahuahuahau...
– Aaaaahhhhhhhhh, agora entendi!!! Hihihihihi.... Ai, você podia ganhar dinheiro com as suas piadas, tem um senso de humor...! Hihihihihh....
E mesmo que haja uma delimitação de quantia e uma lista de coisas que você prefere ganhar por aquela quantia, isso funciona como extintor de incêndio com data de fabricação vencida. Quando você vê, o fogo já espalhou, a quizumba já se armou e não tem para onde correr. Mesmo anotando coisas como camiseta branca, uma agenda ou livro tal – como ensinou meu grande amigo –, alguém sempre acha que falta uma alegria na sua vida, algo que dê um tchans!, sabem?
Por conta desse raciocínio, já ganhei alguns “porta-jóias”, desde os de cerâmica pintada de rosa, com um sapatinho emplumado à guisa de pegador na tampa, até os de “matéria plástica”, como dizia um conhecido, em forma de coração e com hello kitties decorativas – passando por um forrado com camurça azul-marinho, tampa almofadada que reproduzia estampas francesas do XVIII e quatro mimosos apoios em forma de bolotas doiradas. Côsa másh linda! Mas nada que pôde ser comparado ao LP da Enya... que eu ganhei, claro. Com a dedicatória acho que é a sua cara. Em tempo: um LP, long play, artefado popular noséculo XX, possuía a mesma função que o CD; era umas 5 vezes maior que este e de vinil.
Quando me tornei balzaquiana, pensei que a festa do caqui de me colocar à contragosto em ASs teria fim. Nada! Tive que tomar parte de mais duas cerimônias cabalísticas dessas até conseguir ser ouvida. É uma luta, amigas e amigos desgovernados, na maior parte das vezes desigual, mas temos que ocupar espaços também, oras!
Filmes de ficção científica lixão (FCL) tiveram seus dias de glória entre as décadas de 1950 e 60. O gênero ainda persiste, mas produzido de forma mais apurada – os efeitos especiais escondem a pobreza e a falta de noção dos argumentos.
Assim, nada como a FCL de outras décadas, com seus argumentos desatinados, defeitos especiais e interpretações dignas do Troféu Joinha. Depois de Pelados na Lua (Nude on The Moon), de 1961, a preciosidade da FC lixão fica por conta do italiano 2+5 Missione Hydra, de 1965. Sim, um autêntico produto ítalo-lixão, para o gáudio de desgovernados chegados na coisa.
A história, além de tratar de temas como a ciência em tempos de guerra fria, também traz algumas polêmicas de cunho ecológico (é só procurar bem, tá? Nos dois casos...). Então, é assim: alienígenas do planeta Hydra, capitaneados por uma ruiva – com peitões sempre em destaque nos recortes do maiô cavadíssimo –, desembarcam na Terra para conseguir espécies para o zoológico de seu planeta. Há a participação de sabotadores chineses-malditos-comunistas, talvez para dar um toque James Bond ao filme.
Há o cientista, ator de seus 50 anos, maquiado para parecer ter 70; seus ajudantes, sensacionais, cada qual com um cabelão de horas no secador modelo “capacete”, com direito a redinha e protetor de orelha, e inacreditáveis pestanas postiças!!! Sim, os mocinhos usam cílios postiços! Mas não uma coisa que apenas realçasse o olhar, assim como os que o Dr. McCoy usava em Star Trek. Nãããããããooooooooooooooooo... Estou falando de cílios postiços de competição. Acho que fizeram escova neles também.
E, claro, há a filha do cientista, moçoila de basta cabeleira negra (“como as asas da graúna”), saliente como um mico-leão no meio de preguiças anestesiadas. Para realçar a saliência da moça, nada como modelitos à altura. Tudo muito sintético, certamente o último grito na Milão daquela década. Mas há um toque todo original, como calças listradas muito ajustadas às formas sinuosas da ragazza, uma versão moça-moderna das calças do Obélix. A mocinha em perigo, ou melhor, a perigo (pois ela se joga no primeiro andróide que vê pela frente), é seqüestrada juntamente com o pai, o time do “cílios postiços futebol clube” e os sabotadores chineses-malditos-comunistas. Carnavalizou a nave pendurando plumas em sua cabine – e abusando de uns modelitos rainha da bateria da unidos de San Genaro.
O pau come solto na nave, a ruiva descobre que destruíram seu planeta natal, onde restaram alguns renegados, casais se formam naquele ambiente, como se fosse uma Festa Baile sci-fi e os sabotadores chineses-malditos-comunistas são detonados por humanóides peludos munidos de ossos. Nota de rodapé aqui mesmo: e também tem monolito simbólico-complicativo.
Mais do que o desfecho de tão instigante trama, as preciosidades da película ficam por conta das cenas no espaço (confeccionado com pano preto furadinho e luz projetada atrás); do conserto da antena da nave (sim, a nave possuía uma antena; como entortou na passagem por um cinturão de asteróides, as imagens que captava ficavam prejudicadas. Aí, decidiram trocar – eu teria posto um Bombril na ponta, simples e eficaz, né?); da ruiva fazendo baliza pra estacionar a nave, enquanto a mocinha dava as dicas de “pode ir, pode ir”, olhando pela escotilha aberta da nave; e, principalmente, do gestual dramático da estrela, algo entre o kung-fu e a tarantela para defesa pessoal; uma mistura da Margot Fonteyn com a Silvana Mangano colhendo arroz...
O Cine Trator só dispõe do final para colocar aqui (no qual a mocinha permanece discreta), com a mensagem de um mondo melhor, construído com amor espontâneo... Assim que encontre mais imagens youtúbicas ou afins, haverá mais sessões de FCL.